A Malária é a mais disseminada e letal das
doenças parasitárias endêmicas nas áreas tropicais e subtropicais do mundo. É
tão letal que pode matar em horas, e tão prevalente que, em algumas regiões
endêmicas, é difícil encontrar alguma criança que não tenha adoecido de Malária
no primeiro ano de vida.
Agente etiológico
Atualmente são conhecidas cerca de 150
espécies causadoras de Malária em diferentes hospedeiros vertebrados. Sendo que
quatro espécies parasitam exclusivamente os humanos: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale.
P. falciparum e P. vivax são as principais responsáveis de 95% de
todos os casos.
A infecção pelo P. falciparum pode acometer vários órgãos e é a que
causa maior letalidade.
Já a infecção pelo P. vivax, que respondem por
mais de 70% de casos da Malária em todo o país, leva geralmente a doença
benigna e sem complicações. Entretanto, formas graves dessa infecção têm sido
descritas, com envolvimento cerebral, pulmonar e trombo citopenia.
Aspectos morfológicos das formas sangüíneas
de Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae em
esfregaço corado com Giemsa.
Fonte: www.icb.usp.br/~livropar/img/capitulo2/29.html
Aspectos morfológicos das formas sangüíneas de Plasmodium vivax e Plasmodium ovale em esfregaço
corado com Giemsa.
Fonte: www.icb.usp.br/~livropar/img/capitulo2/30.html
Vetor
O vetor que transmite a Malária são os mosquitos pertencentes à ordem dos dípteros da família Culicidae, gênero Anophele, conhecidos também como Hospedeiros Invertebrados.
São eles:
- Anopheles darlingi
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Anopheles_darlingi
- Anopheles gambiae
Fonte: www.map.ox.ac.uk/explore/mosquito-malaria-vectors
- Anopheles albitarsis
Fonte: professorarejanebiologia.blogspot.com.br/2011/01/novo-farmaco-para-malaria.html
- Anopheles aquasalis
Fonte: www.agencia.fiocruz.br/estudo-pioneiro-analisou-aspectos-da-imunidade-entre-o-mosquito-transmissor-da-mal%C3%A1ria-e-o-parasito
Ciclo Biológico
Ciclo vital do Plasmodium sp. mais do que qualquer outro agente
infeccioso, o plasmódio caracteriza-se por notável complexidade biológica. No
mosquito, apresenta um ciclo de divisão sexuada, ou espermogônica, e, no
hospedeiro humano, dois ciclos de divisão assexuada, ou esquizogônica, um
ocorrendo em células hepáticas em eritrócitos. Desse modo, são originadas dez
formas evolutivas distintas no homem e cinco no mosquito, com diferentes
características biológicas e antigênicas, além de diverso potencial patogênico.
O conhecimento do ciclo vital do plasmódio é essencial para o correto
diagnóstico da infecção e para o entendimento das características clínicas,
patológicas e imunológicas da doença e para as intervenções terapêuticas.
A fêmea do anofelino, durante sua alimentação hematófaga, inocula esporozoítos na corrente sanguínea do hospedeiro intermediário. O parasita possui tropismo pelo tecido hepático e, da corrente sanguínea, migra para o fígado. Nos hepatócitos, as formas inoculadas se transformam em esquizontes e originam milhares de merozoítos. OP. vivax e P. ovale evoluem para a forma de hipnozoítos. A fase hepática do ciclo dura aproximadamente 14 dias, correspondente ao período de incubação da doença.
Passado o período de latência, os merozoítos atingem os sinusóides hepáticos e entram novamente na circulação sanguínea, o que propicia a invasão das hemácias pelos parasitas. No interior dos eritrócitos, os merozoítos podem originar os trofozoítos que, por divisão nuclear, formam os esquizonte ou ainda gametócitos, forma sexuada capaz de infectar o vetor. A fragmentação dos esquizontes no interior das hemácias culmina com a hemólise e a liberação de novos merozoítos na circulação, processo desencadeador do paroxismo febril.
No hospedeiro invertebrado terá origem o ciclo sexuado ou esporogônico do parasita. Durante o repasto sanguíneo, os gametócitos da fêmea realizam reprodução sexuada, dando origem ao zigoto que, até o amadurecimento, passa pelas fases de oocineto, oocisto e esporozoíto. Este último migra para as glândulas salivares do mosquito e o capacitam à transmissão da doença. Diversas espécies e cepas distintas podem ser inoculadas numa única picada.
No vídeo abaixo, podemos ver o ciclo da Malária detalhado:
Fonte: www.youtube.com/watch?v=O4p-_8oD68w
Transmissão
A transmissão se dá quando fêmeas de
mosquitos do gênero Anopheles, parasitadas com esporozoítos em suas glândulas
salivares, inoculam essas formas infectantes durante o repasto sanguíneo.
Apesar de infrequente, a infecção malárica pode ser transmitida acidentalmente,
como resultado de transfusão sanguínea, compartilhamento de seringas
contaminadas e acidentes em laboratório. A infecção congênita pode ocorrer com
consequências graves para o feto ou recém-nascido.
Fêmea de Anopheles darlingi, principal vetor da malária no Brasil, no início do repasto sangüíneo. Observe a posição de pouso:
Fonte: www.icb.usp.br/~livropar/img/capitulo2/9.html
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Fêmea de Anopheles darlingi ao final do repasto sangüíneo. Note o estômago repleto de sangue:
Fonte: www.icb.usp.br/~livropar/img/capitulo2/10.html
Imunidade
Os mecanismos envolvidos na proteção contra a Malária são complexos, mas podem ser divididos em três categorias: resistência
inata, imunidade inata e imunidade adquirida.
* Resistência inata: A resistência inata não depende do contato
prévio com o parasito. A resistência pode ser absoluta quando protege
completamente o indivíduo de adquirir a doença, ou relativa quando mesmo
havendo o desenvolvimento do parasito, o processo infeccioso é autolimitado.
Fatores do hospedeiro, geneticamente
determinados, pode influenciar a sua suscetibilidade à malária. A ausência de
receptores específicos na superfície dos eritrócitos impede a interação de
merozoítos.
Certos polimorfismos genéticos estão
associados à distribuição mundial de malária por P. falciparum. O exemplo mais
convincente é o da anemia falciforme. Crianças africanas que morrem de malária
grave raramente apresentam o traço falciforme (HbAS), embora seja um fenótipo
altamente frequente naquela região. Indivíduos que apresentam o traço
falciforme (HbAS) são protegidos de malária grave, apresentando vantagens sobre
indivíduos homozigotos (HbAA), que podem se infectar e vir a morrer de malária.
Nas hemácias falciformes, o nível de potássio
intracelular está diminuído em virtude da baixa afinidade da hemoglobina S pelo
oxigênio, o que causa a morte do parasito.
Indivíduos que possuem Talssemias, podem
impedir o desenvolvimento parasitário no interior da hemácia.
Acredita-se que a deficiência de
glicose-6-fosfato-desidrogenase possa impedir o desenvolvimento dos parasitos
por efeitos oxidantes, pois se sabe que a hemoglobina de eritrócitos
deficientes desta enzima são facilmente oxidadas, formando metamoglobina, que é
tóxica para o parasito.
* Resposta imune inata: Os mecanismos envolvidos na resposta imune
inata na malária são pouco conhecidos. Sabe-se que tal resposta pode ser
desencadeada por diversos componentes derivados de diferentes microrganismos e
que os receptores do tipo Toll, expressos na membrana plasmática de células
dendríticas, macrófagos e células B, estão envolvidos nesse processo, reconhecendo
metabólitos do parasito. Esta interação promove uma resposta pró-inflamatória
com liberação de citocinas como o IFN-y e o TNF-a que serão importantes no
controle da infecção em etapas posteriores.
* Resposta imune adquirida: Os recém-nascidos são protegidos da forma
grave da doença durante os primeiros meses de vida pela transferência passiva
de anticorpos IgG da mãe imune para o filho.
Embora os mecanismos envolvidos neste estado
de equilíbrio imune ainda não sejam totalmente elucidados, o processo tem
características muito definidas, que podem ser assim resumidas:
- estado imune adquirido lentamente, após
anos de exposição em áreas de intensa transmissão;
- imunidade não esterilizante que mantém
níveis de parasitemia abaixo de um limiar de patogenicidade, determinando
infecções assintomáticas;
- imunidade dependente de exposição contínua
ao parasito, sendo perdida por indivíduos imunes após cerca de um ano, na
ausência de exposição.
Patogenia
Apenas o ciclo eritrocítico assexuado é
responsável pelas manifestações clínicas e patologia da malária. A passagem do
parasito pelo fígado (ciclo exoeritrocítico) não é patogênica e não determina
sintomas.
- Comprometimento de órgãos e sistemas:
FÍGADO
Comprometimento hepático pode ocorrer após o
ciclo hepático do plasmódio, ou seja, durante a fase eritrocitária, quando pode
surgir hepatomegalia moderada e dolorosa, principalmente em crianças e em
indivíduos não imunes infectados por P.
falciparum.
Na fase aguda da doença, pode haver
hiperbilirrubinemia (Icterícia), definida como coloração amarelada da pele e
mucosa, atribuída à hemólise intravascular de eritrócitos parasitados, à
disfunção hepática, ocasionalmente, também à hemólise decorrente de coagulação
intravascular disseminadas.
Ao exame macroscópico, o fígado pode ter
volume aumentado e apresentar coloração castanha-escura, quase negra, devido à
retenção de hemozoína nas células sinusoidais hepáticas.
Ao microscópio, o órgão apresenta hipertrofia
e hiperplasia de células de KUPFFER, que aparecem carregadas de pigmento
malárico e restos de parasitos fagocitados, além de infiltrado de mononucleares.
BAÇO
O baço é um dos órgãos mais frequentes e
precocemente acometidos na infecção por plasmódio. Na segunda fase aguda está
moderadamente aumentado de volume, pesa 500 a 600 g, é mole, friável e sujeito
à ruptura, até mesmo por pequenos traumatismos. A cápsula tensa, o parênquima
abundante de fluente vermelho-escuro até quase negro conforme a intensidade da
congestão e a quantidade de hemozoína retida. Histologicamente, apresenta
hiperplasia de linfócitos da poupa branca e acentuada desorganização de sua
arquitetura normal.
Microscopicamente, evidencia-se hipotrofia da
poupa branca, com folículos linfoides geralmente deletados ou transformados em
blocos e alinos. Na poupa vermelha, há hiperplasia de macrófagos seguida de
neoformação conjuntiva, que acaba por transformar os cordões de Billroth em
traves fibrosas, com acúmulo de hemozoína e hemossiderina. Essas alterações
causam modificações estruturais com dilatação dos seios venosos, podendo o
órgão adquirir aspecto angiomatoide.
PULMÕES
Ocorre acentuado aumento do peso dos pulmões,
que se apresentam congestos, edemaciados e, às vezes, com áreas de hemorragia.
Microscopicamente, predomina edema alveolar,
e intersticial, observando-se também congestão, espessamento dos septos
alveolares, eritrócitos parasitados e macrófagos contendo hemozoína, áreas
focais de hemorragia interalveolar e membranas hialinas. O endotélio de
arteríolas e capilares apresenta-se edemaciados, o que causa redução da luz
capilar.
RELATO DE CASO
Paciente do sexo masculino, 38 anos de idade, minerador, recém-chegado do Amapá há três semanas, vacinado previamente para febre amarela e hepatite.
Internado em novembro de 2001, com história de febre há quatro dias, associada a cefaléia, odinofagia e rinorréia, além de disúria e colúria. Os exames laboratoriais na admissão mostravam hematócrito de 48 mg/dl (hemoglobina de 17 mg/dl), leucograma com 5.340 células (diferencial de 0/2/3/62/20/7/6), plaquetopenia (29.100 plaquetas), aumento de transaminases (TGO = 81 mg/dl; TGP = 134 mg/dl) e elevação de escórias nitrogenadas (creatinina = 1,4 mg/dl; uréia = 38 mg/dl). O EAS mostrava 10-15 leucócitos/campo, 20-30 hemácias/campo e cilindros granulosos, além de proteinúria (> 2 g). A sorologia para dengue foi negativa. Uma tomografia computadorizada do abdome revelou apenas edema periportal hepático. Após realização de esfregaço sanguíneo, a pesquisa para P. falciparum foi positiva (500-1.000 parasitas/campo).
Durante a internação evoluiu com coagulação intravascular disseminada. As radiografias de tórax mostraram infiltrado intersticial paracardíaco bilateral, com derrame pleural. Foi submetido a TCAR dois dias após a internação, que evidenciou espessamento liso de septos interlobulares e de bainhas peribroncovasculares, com áreas de consolidação e de atenuação em vidro fosco esparsas e derrame pleural bilateral.
Foi instituído tratamento com antimaláricos e o paciente recebeu alta após 11 dias de internação, com acentuada melhora do quadro clínico e radiológico.
RINS
Pode acometer túbulos e glomérulos manifestando-se
como: (a) necrose tubular aguda com insuficiência renal, lesão grave decorrente
de alterações hemodinâmicas associadas ao alto parasitismo de eritrócitos. (b)
glomerulopatia mediada por imunocomplexos, lentamente progressiva e associada a
infecção crônica. (c) nefrite intersticial aguda e glomerulonefrite
proliferativa aguda.
Quando existe acometimento renal aumenta o número de
células mesangiais e macrófagos contendo hemozoína. A reação inflamatória local
induz aumento da permeabilidade glomerular, levando à passagem de proteínas que
se apresentam como material eosinofílico no espaço subcapsular dilatado e nos
túbulos. Algumas alterações podem desaparecer dentro de 4 a 6 semanas sem deixar
seqüelas após cura da infecção. As alterações tubulares são mais importantes do
que as glomerulares e podem levar a insuficiência renal aguda. As lesões podem
variar, desde degeneração intensa e necrose, sendo esta, a lesão mais freqüente
e mais grave que pode associar-se a insuficiência renal aguda, comprometendo a
maioria dos túbulos distais e alguns proximais. Alterações intersticiais
incluem edema e infiltrado mononuclear.
SISTEMA NERVOSO
A malária pode acometer a medula espinhal e os nervos
periféricos, mas são as lesões encefálicas, principalmente na substância
branca, as mais freqüentes, importantes e graves.
Macroscopicamente, há aumento de volume e peso do
encéfalo, congestão dos vasos das meninges, alargamento e achatamento dos giros
e estreitamento dos sulcos. A substância encefálica apresenta-se com coloração
cinza azulada por causa de pigmento malárico, sendo evidentes hemorragias petequeais
difusas, especialmente na substância branca.
Microscopicamente, observa-se a luz dos pequenos vasos,
especialmente vênulas contendo eritrócitos parasitados aderidos ao endotélio ou
formando agregados com eritrócitos não parasitados, monócitos contendo
hemozoína e raramente observa-se leucócitos. Tanto o seqüestro de eritrócitos
parasitados em pequenos vasos como as hemorragias perivasculares são mais
freqüentes na substância branca do que no córtex. Observa-se também áreas de
edema perivascular e parenquimatoso, necrose perivascular e, mais raramente,
granulomas ou nódulos gliais de Dürck.
A aderência de eritrócitos parasitados às células
endoteliais e os não parasitados, formam rosetas, podendo reduzir o fluxo
sanguíneo nas vênulas pós capilares e ocasionar aumento da pressão sanguínea
local, facilitando o desenvolvimento de micro-hemorragias em anel. Essa aderência
dos eritrócitos parasitados ao endotélio vascular cerebral pode estimular a
apoptose de células endoteliais, com isso, as proteínas na junção
interendotelial podem extravasar por causa da ruptura da barreira
hematoencefálica, que tem a função crítica de regular o transporte de células e
solutos do cérebro. Com isso, pode ocorrer também, transdução de líquido do
meio intravascular para o tecido cerebral provocando edema cerebral, o que pode
instalar coma. As lesões mediadas por linfócitos TCD8+ também podem resultar em
extravasamento de citocinas, antígenos do plasmódio através da barreira
hematoencefálica. O acúmulo de TCD4+ pode ocorrer com produção exacerbada de
IFN-γ e citocinas pró-inflamatórias.
Todo esse processo, pode desencadear um aumento do fluxo sanguíneo cerebral devido a
vasodilatação arteriolar devida a convulsões, hipertermia, anemia, hipóxia,
acidose provocada por citocinas e aumento da produção de óxido nítrico induzido
por TNF-α.
MEDULA
ÓSSEA
A medula óssea pode apresentar-se na fase aguda da
doença com coloração vermelho-acinzentada e hiperêmica, devido à intensa
atividade hematopoiética e devido à presença de pigmento malárico em que os
sinusoides se encontram repletos de eritrócitos parasitados e macrófagos
contendo hemozoína.
Fonte: http://imgsapp.sites.uai.com.br/app/noticia_133890394703/2014/07/10/149321/20140710080903282215i.jpg
PLACENTA
Macroscopicamente, não mostra alterações específicas,
podendo, entretanto, apresentar menor peso, consistência esponjosa e coloração
parda. As principais alterações encontram-se nos espaços intervilositários, ao
qual, se apresentam infiltrados por eritrócitos parasitados, neutrófilos e
macrófagos.
A freqüência de malária em gestantes se dá devido ao
fato de a placenta funcionar como um local privilegiado de sequestro e
desenvolvimento do plasmódio, podendo reter o parasito por muitos meses,
resguardando-o do efeito dos mecanismos de defesa do hospedeiro e da ação de
medicamentos antimaláricos. Mesmo o parasito atravessando a barreira
placentária, fatores de defesa impedem seu desenvolvimento no feto.
Fonte: upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d3/Maternal_malaria_placenta_-_very_high_mag.jpg
ALTERAÇÕES
HEMATOLÓGICAS
A anemia é uma manifestação freqüente nos casos de
malária, resultando na destruição dos eritrócitos parasitados, o que se dá pela
ação da multiplicação intraeritrocitária expressiva dos plasmódios que ocorrem
na doença, em que cada esporozoíto, entre as dezenas ou centenas introduzidas
pelo mosquito, dá origem de 30.000 a 40.000 merozoítos durante o ciclo
hepático, e estes, a mais de 2 bilhões de parasitos após quatro ciclos em
eritrócitos, o que pode causar alterações da membrana à medida que o parasito
se multiplica ocorrendo alterações no meio intracelular das hemácias roubando
oxigênio e produzindo catabólitos tóxicos, modificando a estrutura dos
eritrócitos e aumentando a fragilidade osmótica, levando-os à apoptose, podendo
haver perda de mais de 2 milhões de eritrócitos/uL de sangue, ou seja, quase
metade dos eritrócitos do organismo, ao fim de uma semana de infecção. Outra
parcela desses eritrócitos são fagocitados por macrófagos. A anemia pode ser
causada também por alterações na eritropoese ou de perda sanguínea devida a
coagulopatia que ocasionalmente se associa à infecção.
Discreta anisocitose e poiquilocitose com leptócitos e esferócitos em anemia hemolítica da malária. Esse paciente apresentou VCM e HCM normais apesar de várias hemácias estarem morfologicamente alteradas:
Fonte: ciencianews.com.br/homologacao/wp-content/uploads/2013/08/img011.jpg
Dados epidemiológicos da doença no Brasil
A Malária é uma doença que ocorre nas áreas tropicais
e subtropicais do mundo. No Brasil, é comum a variação anual da incidência,
podendo ocorrer epidemias, já que a maior parte da população exposta permanece
vulnerável ao parasito.
A associação desses fatores determina os diferentes
níveis de risco para adiquirir a Malária. São eles:
- · Fatores biológicos, que incluem cada elo da cadeia de transmissão: vetor, homem, parasito;
- · Fatores ecológicos, que compreendem as condições ambientais que podem favorecer ou dificultar a transmissão.
- · Fatores sócio-culturais, que determinam as atitudes e os comportamentos dos agrupamentos humanos;
- · Fatores econômicos e políticos.
Na América Latina, o maior número de casos é
verificado na Amazônia brasileira, com registro atual de cerca de 300 a 400 mil
casos por ano.
Em 2008, 315.716 casos da doença foram registrados no
Brasil, sendo 99,9% deles na Amazônia Legal, englobado os estados: Amazonas,
Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Do
total de casos, 84% foram causados pelo P.
vivax¸ 15% pelo P. falciparum, e
1% pelo P. malariae.
De forma geral, a região Amazônica se caracteriza por
uma reduzida imunidade à Malária, apresentando, uma elevada taxa de morbidade.
Dentro dessa perspectiva, é clara a importância de se adaptarem às medidas de
controle às condições epidemiológicas específicas de cada região. Sendo assim,
a partir de 1993, o Brasil vem colocando em prática a estratégia global de
controle integrado.
Esses objetivos deverão ser alcançados através de:
- · Diagnóstico precoce e tratamento imediato dos casos;
- · Uso de medidas seletivas de controle contra vetores;
- · Detecção oportuna de epidemias;
- · Avaliação regular da situação local da Malária, através de monitoramento dos fatores de risco.
Fonte: scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?pid=S1679-49742012000100013&script=sci_arttext
Diagnóstico
A OMS, em suas orientações atuais para o controle da
Malária no mundo, preconiza tanto o diagnóstico clínico quanto o diagnóstico
laboratorial como norteadores da terapêutica da doença.
- Diagnóstico clínico
No diagnóstico clínico da Malária, tanto nas áreas
endêmicas como nas não endêmicas, é sempre pensar na possibilidade da doença.
Torna-se importante, durante a elaboração do exame clínico, resgatar informações
sobre a área de residência ou relato de viagens indicativas de exposição ao
parasito. Além disso, informações sobre transfusão de sangue ou uso de agulhas
contaminadas podem sugerir a possibilidade de Malária induzida.
- Diagnóstico laboratorial
Devido ao grande avanço nas técnicas imunológicas de
diagnóstico ocorrido nas últimas décadas, o diagnóstico da Malária continua
sendo feito pela tradicional pesquisa do parasito no sangue periférico, seja
pelo método da gota espessa, ou pelo esfregaço sanguíneo. Estas técnicas
baseiam-se na visualização do parasito através de microscopia ótica, após
coloração com corante vital (azul de metileno e Giemsa). Esses métodos são os
únicos que permitem a diferenciação específica dos parasitos a partir da
análise da sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito infectado.
Em função de sua simplicidade de realização, seu baixo custo e sua eficiência
diagnóstica, o exame da gota espessa tem sido utilizado em todo o mundo para o
diagnóstico específico da Malária.
Apesar de sua inquestionável vantagem, o diagnóstico
parasitológico da Malária pela gota espessa é dependente dos seguintes fatores:
- · Habilidade técnica no preparo da lâmina, seu manuseio e coloração;
- · Qualidade ótica e iluminação do microscópio;
- · Competência e cuidado por parte do microscopista;
·
Capacidade de detecção de parasitemia
igual ou superior igual a 10 a 20 parasito-microlitro de sangue, quando sem
campos microscópicos são examinados por microscopista devidamente treinado.
Devido à dificuldade de
acesso da população ao centro de diagnósticos e a precariedade dos serviços de
saúde em muitos locais. Nos últimos anos, métodos rápidos, práticos e sensíveis
vêm sendo desenvolvidos. São métodos imunocromatográficos com anticorpos
monoclonais e policlonais. Esse método tem a vantagem de diferenciar o P. falciparum das demais espécies.
O diagnóstico de Malária
através da PCR ainda é restrito aos laboratórios de pesquisa, em virtude do
alto custo, por envolver reagentes necessários e da alta complexidade técnica.
A análise de esfregaços de sangue por microscopia é o exame padrão de diagnóstico de malária. Nesta amostra pode-se observar formas anelares egametócitos de Plasmodium falciparum entre os glóbulos vermelhos.
Fonte: minutobiomedicina.com.br/uploads/posts/444/cientistas-descobrem-proteina-com-potencial-contra-malaria.jpg
Tratamento
O tratamento adequado e precoce da Malária é hoje o
principal fundamento para o controle da doença. Antes do surgimento da
resistência do P. falciparum à cloroquina.
Além da cloroquina, o P. falciparum
apresenta resistência a diversos outros antimaláricos, tornando seu
tratamento um dilema para o médico e um desafio para as autoridades de saúde
responsáveis pelo controle da Malária.
Patogênese
da malária
Enquanto não se desenvolverem métodos eficazes de
profilaxia contra a infecção e de controle das manifestações clínicas da
doença, cerca de 350 a 500 milhões de pessoas continuarão sofrendo de malária a
cada ano e mais de 1 milhão continuará morrendo. Apesar dos importantes avanços
alcançados, a compreensão da patogênese da malária ainda é incompleta e
insuficiente, havendo necessidade de melhor conhecimento das interações do
plasmódio com o organismo humano.(Carlos Eduardo Tosta, Maria Imaculada Muniz
Barbosa Junqueira).
Profilaxia
- Medidas de proteção individual: Consiste em evitar o
contato do mosquito com a pele do homem.
- Quimioprofilaxia: medicamentos antimaláricos.
- Medidas coletivas: combate ao vetor adulto, combate
às larvas, medida de saneamento básico e melhores condições de vida.
Referências
bibliográficas
Bogliolo Patologia, 8ª edição2011- Geraldo Brasileiro
Filho.
Parasitologia Humana, David Pereira Neves


















Parabéns pessoal! Trabalho bem completo e com visual bem atrativo! Fernanda Villani
ResponderExcluirÓtimo,bem resumido consistente e direto.
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